Jongo da Serrinha

28

Nov

2025

A instituição promove diversas ações pedagógicas integradas com as iniciativas comunitárias do Salgueiro, como o Caxambu e Coletivo de Erveiras e Erveiras. No espaço de entrada podemos ver artes feitas pelas crianças em atividades de educação antirracista e uma horta comunitária cuidada em parceria com os hortelões do morro.

Sambas-enredos campeões como “Quilombo dos Palmares” (1960), que deu o primeiro título para a escola, “Xica da Silva” 1963 e “Festa para um Rei Negro” (1971), e outros que marcaram o carnaval como “Chico Rei” (1964) até hoje são lembrados.

Ala das Baianas do Salgueiro

Nesse ponto do percurso, visitamos a maior horta comunitária do morro. Cultivada dentro de um terreno inutilizado durante muitos após a demolição de uma antiga construção, a horta hoje fornece diversidade de alimentos para os moradores. A partir da iniciativa de alguns moradores, o espaço reapropriado e transformado em área de plantio cuidado por diversas mãos, sendo hoje gerenciada pelo Tio Dada, o hortelão-chefe.

A Horta recebe apoio do Programa Hortas Cariocas da Secretaria de Meio Ambiente da Cidade (SMAC) que teve início em 2006, cujo objetivo é Ampliar o acesso a alimentos saudáveis e orgânicos para a população, gerar renda e dar uso a áreas antes improdutivas dos territórios. Hoje a horta é fonte de renda para alguns moradores que mantém o plantio, além de proporcionar aos moradores uma alimentação saudável e diversificada e manter viva a memória do cultivo aprendido com as gerações mais velhas. Os alimentos produzidos também são livres de substância tóxicas.

A formação do caxambu, mais conhecido como jongo em outros lugares do sudeste, é integrada a própria história de constituição da comunidade, inicialmente povoada por africanos e afrodescendentes. O Caxambu do Salgueiro é um dos grupos participantes da construção do último Plano de Salvaguarda do Jongo do Rio de Janeiro (2024) feito no âmbito do IPHAN, um documento que visa proteção, valorização e transmissão dos saberes dos patrimônios imateriais registrados, promovendo políticas públicas e gestão compartilhada desses saberes.

O Jongo foi registrado como patrimônio imaterial pelo IPHAN em 2005 no Livro de Registro das Formas de Expressão. Indicamos a página do Jongo no Sudeste do Observatório para saber mais sobre essa manifestação.

No mesmo espaço, em janeiro de 2025 foi inaugurado o Museu Social Quilombo do Salgueiro, que integra a Rede de Museologia do Rio de Janeiro (REMUS). O museu foi planejado visando visibilidade à memória e história desse território que possui tradições culturais fundamentais não só para o local e vivência comunitária dos moradores, mas para a cidade do Rio de Janeiro. Com isso, a iniciativa enreda temas como a preservação do patrimônio material e imaterial da região, dialogando com o amplo campo da cultura e patrimônio e suas políticas públicas.