Salgueiro

28

Nov

2025

A instituição promove diversas ações pedagógicas integradas com as iniciativas comunitárias do Salgueiro, como o Caxambu e Coletivo de Erveiras e Erveiras. No espaço de entrada podemos ver artes feitas pelas crianças em atividades de educação antirracista, como uma árvore de Natal decorada com Bonecas Abayomi. Um pouco adiante, uma horta comunitária está sendo planejada em parceria com os hortelões do morro para se tornar um espaço de educação ambiental e cultural.

Quem nos guia dentro das instalações da escola é Sibelli Carvalho, que está na direção há 35 anos. A diretora nos conta da importância da instituição pro exercício da cidadania e educação integrada das crianças, sendo 90% dos alunos moradores do Salgueiro. O reconhecimento do papel central da escola pela comunidade esteve presente na fala da diretora ao nos relatar o acontecimento de um mutirão de moradores para recuperar o espaço após uma enchente que atingiu o prédio em 2023.

Sambas-enredos campeões como “Quilombo dos Palmares” (1960), que deu o primeiro título para a escola, “Xica da Silva” 1963 e “Festa para um Rei Negro” (1971), e outros que marcaram o carnaval como “Chico Rei” (1964) até hoje são lembrados.

Ala das Baianas do Salgueiro

Nesse ponto do percurso, visitamos a maior horta comunitária do morro. Cultivada dentro de um terreno inutilizado durante muitos após a demolição de uma antiga construção, a horta hoje fornece diversidade de alimentos para os moradores, com hortaliças, frutíferas e ervas. A partir da iniciativa de alguns moradores através de um mutirão, o espaço foi reapropriado e transformado em área de plantio cuidado por diversas mãos, sendo hoje gerenciada pelo Tio Dada, o hortelão-chefe, e fomentada pela prefeitura da cidade.

A Horta recebe apoio do Programa Hortas Cariocas da Secretaria de Meio Ambiente da Cidade (SMAC) que teve início em 2006, cujo objetivo é Ampliar o acesso a alimentos saudáveis e orgânicos para a população, gerar renda e dar uso a áreas antes improdutivas dos territórios. Hoje a horta é fonte de renda para alguns moradores que mantém o plantio, além de proporcionar aos moradores uma alimentação saudável e diversificada e manter viva a memória do cultivo aprendido com as gerações mais velhas. Por serem de cultivo agroecológico, os alimentos produzidos também são livres de substância tóxicas.

A formação do caxambu, mais conhecido como jongo em outros lugares do sudeste, é integrada a própria história de constituição da comunidade, inicialmente povoada por africanos e afrodescendentes. O Caxambu do Salgueiro é um dos grupos participantes da construção do último Plano de Salvaguarda do Jongo do Rio de Janeiro (2024) feito no âmbito do IPHAN, um documento que visa proteção, valorização e transmissão dos saberes dos patrimônios imateriais registrados, promovendo políticas públicas e gestão compartilhada desses saberes.

O Jongo foi registrado como patrimônio imaterial pelo IPHAN em 2005 no Livro de Registro das Formas de Expressão. Indicamos a página do Jongo no Sudeste do Observatório para saber mais sobre essa manifestação.

No mesmo espaço, em janeiro de 2025 foi inaugurado o Museu Social Quilombo do Salgueiro, que integra a Rede de Museologia do Rio de Janeiro (REMUS). O museu foi planejado visando visibilidade à memória e história desse território que possui tradições culturais fundamentais não só para o local e vivência comunitária dos moradores, mas para a cidade do Rio de Janeiro. Com isso, a iniciativa enreda temas como a preservação do patrimônio material e imaterial da região, dialogando com o amplo campo da cultura e patrimônio e suas políticas públicas.